Tratamento numa Escoliose – Caso Clínico Real

Há casos que nos enchem de orgulho e nos motivam a continuar o percurso de especialização e excelência pelo qual temos enveredado. O caso da “Joana” (nome fictício para preservar o sigilo da utente) é um deles.
Os pais da “Joana” recorreram à FISIOVIDA em Junho de 2016, alarmados e assustados pela “descoberta” de uma escoliose severa.

A “Joana” tem 11 anos e um diagnóstico severo de escoliose (68º de curvatura torácica). Dos vários médicos ortopedistas, especialistas em escoliose, consultados no Porto pelos seus pais, a opinião era quase unânime: a resolução do problema passava pela cirurgia… Contudo, os pais da “Joana”, tal como milhares de pais na mesma situação, não se conformaram com essa solução.

Antes de decidirem entregar a sua filha à mesa de operações, para ser submetida à correção da escoliose através de um processo tão invasivo, eles decidiram explorar outras opções que não a cirurgia.

Foi aí que chegaram ao método da Reeducação Postural Global – RPG. A RPG é um método ainda pouco conhecido em Portugal, apesar de provar dia após dia a sua elevada evidência clínica na forma como muda significativamente para melhor a qualidade de vida das pessoas. A própria comunidade médica continua pouco informada sobre esta abordagem terapêutica, apesar de nos últimos anos, fruto da divulgação que a FISIOVIDA tem vindo a efetuar, a realidade começar a mudar.

O caso da “Joana” é mais um que vai ajudar a despertar consciências e mudar mentalidades no que diz respeito à abordagem terapêutica neste tipo de casos.

Quando a “Joana” veio à primeira consulta com o Dr. Samuel Ferreira, o prognóstico era muito mau…e porquê?
Porque com 11 anos e uma curvatura de 68º de Cobb na coluna torácica, a probabilidade desta curvatura aumentar ao longo dos próximos anos é muito elevada. Isto porque, na mesma proporção que a “Joana” cresce, a tendência é a escoliose progredir de igual modo. Para piorar ainda mais o prognóstico, a “Joana” não tinha ainda menarca e tinha um sinal de risser 0 (ou seja, o pico do crescimento ainda não tinha iniciado, pelo que o maior risco de evolução da escoliose ainda não tinha chegado. Em resumo: o pior ainda estaria por vir). Para além do mais, e para piorar ainda mais o “quadro”, a “Joana” tinha ainda a presença de vértebras cuneiformes na zona da coluna torácica que induzem um adicional desequilíbrio na coluna, podendo induzir mais fortemente a presença da escoliose.
Decidiu-se propor um tratamento intensivo usando o método de Reeducação Postural Global – RPG e no final dos 3 meses conseguiu-se um resultado que superou todas as expectativas!!

Conseguiu-se uma redução de 28º na curvatura da escoliose.

De 68º passou para 40º de Ângulo de Cobb.

Este resultado é ainda mais valorizado tendo em conta que nestes 3 meses a adolescente cresceu 3 cm, o que cria normalmente uma maior predisposição de agravamento da escoliose.
Ainda há um grande trabalho pela frente, pois a fase de maior crescimento da coluna está agora acontecer.

Se um corpo tem a capacidade de se adaptar mediante os estímulos que lhe damos, porque submeter o corpo a uma intervenção tão invasiva como é a cirurgia para uma escoliose?!

Contudo, com este início prometedor, o futuro parece risonho. Por vezes, a cirurgia pode ser a única solução, mas na equipa FISIOVIDA temos condições, e queremos ser cada vez mais uma alternativa válida a um processo cirúrgico que acarreta riscos e limitações muitas vezes, também elas, irreversíveis.