Fazer ou não fazer EXERCÍCIO numa dor lombar, eis a questão!

Serão as protrusões ou hérnias discais argumento válido para deixarmos de praticar exercício físico? Infelizmente encontramos com muita frequência, utentes em consulta que deixaram de praticar exercício físico por medo ou porque foram instruídos que o exercício com carga agrava as lesões no disco intervertebral (ex: protusões ou hérnias discais).

De forma sensata, a coisa mais importante a fazer é perceber se a dor/sintomatologia que a pessoa apresenta se deve realmente às alterações discais visualizadas nos meios complementares de diagnóstico ou se existe outra etiologia. De facto, sabe-se que é frequente a dor não ter correlação com os achados radiológicos.
A evidência científica sugere que o EXERCÍCIO pode e deve ser utilizado em casos de dor lombar, neste caso concreto em alterações e lesões discais, pois tem mostrado resultados muito interessantes no restabelecimento da saúde das células que compõem o disco.
De facto, sabe-se que a compressão dinâmica é um fator importante que determina a atividade biosintética dos discos intervertebrais, sendo que a magnitude, a frequência e a duração desta mesma carga dinâmica é o que determina o destino das células do disco.
Se numa fase aguda, a utilização de outras estratégias que a FISIOVIDA promove regularmente como a FISIOTERAPIA AVANÇADA, a OSTEOPATIA e a REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL (RPG), é necessária de forma a melhorar a sintomatologia e mobilidade, numa fase avançada a intervenção deve promover nestes casos uma utilização de cargas benéficas, que melhore a resposta anabólica das células discais e diferenciação das células mãe.

A investigação sobre os efeitos de exercício com carga sobre o disco intervertebral melhorou a nossa compreensão sobre o tema, possíveis prognósticos de degeneração discal e trouxe-nos informações acerca da prevenção e reabilitação do disco. Contudo, como se sabe, o exercício tem efeitos amplificados sobre outras estruturas da coluna vertebral, nomeadamente a estrutura muscular e sistema nervoso central.
O exercício deve ser personalizado e adaptado à fase de reabilitação e caraterísticas do individuo, de forma a obter uma relação dose-resposta adequada entre a carga e processos degenerativos do disco. Exercícios de força, nomeadamente com carga dinâmica axial e com movimentos lentos-moderados, utilizando uma carga alta, baixo volume e baixa frequência, podem produzir regeneração dos discos intervertebrais.

Assim, a evidência científica corrobora que o tratamento conservador, em particular o exercício, são estratégias válidas na abordagem de disfunções do disco intervertebral.
Por outro lado, cargas de alto impacto, movimentos explosivos, sedentarismo e períodos de imobilização prolongados podem ser fatores que determinem adaptações negativos no disco intervertebral.
(Chan, 2012); (Steele, 2015); (Hartmann, 2016)

Autoria do artigo: Dr. João Baptista – fisioterapeuta – FISIOVIDA