A cicatriz e a sua consequência invisível

Serão as cicatrizes completamente inofensivas?

Será que o efeito gerado pelas mesmas é só momentâneo ou podem criar problemas a longo prazo?

O que fazer para as tratar de forma eficaz?

Estas são questões OBRIGATÓRIAS a serem feitas e cujas respostas podem determinar uma elevada taxa de sucesso clínico no tratamento de diversos problemas.

Muitas vezes, é necessário invadir o corpo para o ajudar… Mas esse corte, além da cicatriz visível, deixa marcas bem mais profundas, que as pessoas desconhecem e que tão pouco as relacionam com a antiga cirurgia feita há anos atrás.

Atualmente, são várias as cirurgias que já fazem parte do nosso quotidiano, tais como:

  • Apendicectomia;
  • Histerectomia (remoção de útero/ovários);
  • Remoção de hérnia inguinal ou umbilical;
  • Cirurgia a hérnia lombar ou outras;
  • Cirurgia a vesícula biliar;
  • Cirurgias a Bexiga;
  • Abdominoplastias
  • Cesariana;
  • Episiotomia (Suturas no parto normal);
  • Cirurgias pós-fracturas, roturas ou traumatismos;
  • Entre outras.

    DE ENTRE AS VÁRIAS CIRURGIAS, AS DE LOCALIZAÇÃO ABDOMINAL TÊM UM MAIOR IMPACTO NAS TENSÕES DO CORPO.

    Qual a “VERDADEIRA verdade” por detrás de uma CICATRIZ??!

    Uma cirurgia implica um corte, de relativa profundidade e que rasga várias camadas de tecidos. A sutura constitui assim uma agressão direta ao corpo, induz lesão e stress em todos os tecidos abrangidos: pele, fáscia, tecido subcutâneo, gordura, músculos e órgão.

    De todos estes, a fáscia, é o tecido que é contínuo por todo o corpo e se liga a todos os outros tecidos, sendo portanto, o que provoca as maiores alterações, as quais surgem por vezes, só alguns anos após a cirurgia e em zonas à distância. Tendo a fáscia inúmeros recetores, grava todos os estímulos da cirurgia, e o corpo fica com uma memória INCONSCIENTE deturpada relativamente ao estado e função daquela zona, criando-se ali um bloqueio, quer pela rigidez física, quer pela emoção negativa que lhe está associada. Mediante o forte estímulo que recebeu “de ficar atado”, assume a área com uma atitude de protecção, tentando evitar que as zonas vizinhas, acima ou abaixo, se movam muito e repuxem a cicatriz, esticando mais zonas à distância para compensar essa falta de extensibilidade local.

    É por esta razão que a pessoa, após passar a recuperação pós-operatória não nota nenhuma mudança de tensão ou limitação consciente. MAS HÁ MODIFICAÇÕES DE TENSÕES NOS TECIDOS QUE O CORPO MANIFESTA MAIS TARDE! A função e ativação desta zona é minimizada, criando repercussões gerais, pois cada região é estritamente necessária ao movimento!

    COMPREENDENDO UMA CICATRIZ…

    Uma cicatriz assemelha-se a uma costura. O tecido cicatricial é naturalmente mais duro e rígido, não se permitindo mover nem esticar. A zona suturada, literalmente cosida, agrafada ou colada tem uma intenção de fecho e de fixação! Opõe-se ao movimento! Quebra a continuidade na fáscia, perdendo-se aquela onda de mobilidade contínua dos tecidos. Isto resulta numa incapacidade do corpo em se ajustar de forma EFICIENTE, quando nos movemos, dobramos, sentamos, levantamos, esticamos, etc.
    Uma cicatriz muda a mobilidade dos tecidos, muda a sua função e muda a mecânica corporal.

    UMA CICATRIZ, GERA A MÉDIO/LONGO PRAZO, ALTERAÇÕES NO CORPO:

    Alterações mais perceptíveis e óbvias:

  • cicatriz dura, pode ficar mais espessa e fibrosa;
  • área hipersensível à dor ou com perda de sensibilidade, ligeiramente anestesiada.

    Alterações não dedutíveis e mais importantes:

  • alterações posturais, pelo encurtamento fascial em cadeia: ombros enrolados, cabeça projectada à frente, coluna torácica curvada (hipercifose), lombar em hiperlordose;
  • dor cervical, dor lombar;
  • dores de cabeça;
  • alterações digestivas ou intestinais (pela conexão fascial);
  • hipotonia abdominal, por diminuição da sensibilidade dos receptores musculares e lesão das fibras musculares;
  • dores no ato sexual (em caso de cirurgia à bexiga ou parto normal com episiotomia);
  • alterações do sono;
  • estado mais ansioso ou mais abatido (pela memória e tensão fascial).

    Como podemos então tratar uma CICATRIZ de forma eficaz?

    NÃO CHEGA APLICAR HIDRATANTE E MASSAJAR SUPERFICIALMENTE EM CASA, como é conselho habitual de vários profissionais de saúde. HÁ TODO UM CIRCUITO DE RELAÇÕES QUE FORAM CORTADAS, QUE É IMPORTANTE REFAZER DE NOVO. É IMPORTANTE INDUZIR ESTÍMULOS POSITIVOS À ZONA PARA QUE VOLTE À SUA ATIVIDADE E FUNÇÃO.

    O TRATAMENTO PASSARÁ POR:

  • libertação da cicatriz e de todas as áreas relacionadas e modificadas;
  • técnicas fasciais e de mobilidade de tecidos;
  • trabalho visceral e do diafragma;
  • trabalho de correcção postural (RPG);
  • trabalho de controlo motor seletivo.
  • Liberte-se das consequências geradas pela sua cicatriz!Contacte-nos