Tendinopatias e a importância do EXERCÍCIO – desfazendo MITOS

As famosas “tendinites” ou tendinopatias são lesões comuns e um dos motivos que trazem regularmente utentes à FISIOVIDA. As lesões no tendão podem apenas ser ligeiras, mas também altamente incapacitantes, e dada a procura por uma solução consideramos relevante deixar algumas indicações que desfaçam mitos inerentes a este tipo de patologia.

Existem vários fatores de risco associados à tendinopatia. Pode haver uma predisposição biomecânica ou fatores sistémicos e metabólicos. Contudo, frequentemente associa-se à mudança brusca e inesperada de determinadas atividades, não tendo o tendão capacidade de dar resposta ao trabalho exigido.

MITOS vs REALIDADE:

  • Não existe uma resposta inflamatória clássica nas tendinopatias, dado que existem poucas células e bioquímicos inflamatórios no local, pelo que o uso de anti-inflamatórios até pode ajudar na redução da dor/sintomatologia, mas o efeito sobre as células tendinosas ainda não é concreto;
  • O repouso não é a cura, e a tendinopatia não melhora com o repouso. Embora, o descanso possa atenuar a sintomatologia, o retorno à atividade é frequentemente doloroso, dado que a tolerância do tendão ao movimento e à carga ainda não é suficiente;
  • Alterações no tendão demonstradas em ecografia não significa existência de dor. Nestes casos, verificando-se que o tendão não é causa do problema, apesar de existir uma alteração incomum, nem mesmo o tratamento mais avançado reverterá a maioria dos casos. A intervenção deve ser direccionada para a melhoria da sintomatologia e função, em vez da cicatrização do tecido;
  • Uma intervenção em exclusivo com tratamentos passivos (ex: massagem, ultra-som, infiltrações, eletroterapia), raramente melhora, a longo-prazo, a tendinopatia. O EXERCÍCIO é na maioria dos casos, vital.

    Estas informações são baseadas nos mais recentes estudos científicos e na FISIOVIDA queremos que os nossos utentes sejam tratados com o melhor conhecimento disponível atualmente.

    Assim, e sendo o EXERCÍCIO o tratamento com mais evidência científica para casos de tendinopatia, transmitimos a pertinência do mesmo no tratamento deste tipo de patologia, de forma a que os resultados sejam melhores e mais duradouros. Neste tipo de situações, e percebida a importância do tratamento ativo, os utentes recorrem ao nosso serviço de EXERCÍCIO CLÍNICO E OTIMIZAÇÃO DA SAÚDE – ECOS que tem atenção a todos os aspetos relacionados com a lesão do utente.

    DICAS PRÁTICAS:

  • Os tendões precisam de ser sujeitos a uma carga progressiva para que possam desenvolver uma maior tolerância às cargas que o utente suporta no seu dia-a-dia;
  • A tendinopatia responde lentamente ao EXERCÍCIO, pelo que é necessária paciência, mas também a garantia que o EXERCÍCIO é o mais adequado e realizado com adequada progressão;
  • A modificação da carga é essencial para a redução da dor no tendão. Isso geralmente envolve a gestão (pelo menos a curto-prazo) da carga abusiva sobre o tendão, que envolve armazenamento de energia e compressão;
  • Muitas vezes não há atalhos, pelo que é necessária perseverança para evitar “cair na tentação” de ceder a injeções e cirurgias;
  • O EXERCÍCIO deve ser individualizado, de acordo com uma avaliação detalhada, apresentação da dor e da função de cada pessoa, pelo que na FISIOVIDA tem profissionais qualificados que o podem ajudar a resolver a situação em definitivo, para que possa desfrutar do dia-a-dia e da sua atividade física favorita.

    Autor do artigo: Dr. João Baptista – fisioterapeuta FISIOVIDA

    BIBLIOGRAFIA
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    – Littlewood C, Malliaras P, Bateman M, et al.: The central nervous system–An additional consideration in ‘rotator cuff tendinopathy’and a potential basis for understanding response to loaded therapeutic exercise. Manual therapy. 2013.
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