Haverá evidência científica que comprove o benefício da RPG na eliminação da minha “dor de costas”?

Numa fase em que o conhecimento tem sido construído apoiado sob uma forte evidência científica, é impreterível para a credibilização de qualquer ferramenta terapêutica a evidência científica sobre a sua eficácia.
“A minha dor lombar vai ser eliminada com este tratamento?”
“Este tratamento tem evidencia de melhorar a minha “dor de costas”?”
“É seguro?”
“Tem efeitos secundários?”
“É contra-indicado para o meu caso?”

Ainda que muitas pessoas na sociedade recorram a diferentes métodos de tratamento baseados nas suas crenças, ou no feedback positivo de outras pessoas que a eles recorreram, muitas outras têm vindo a tomar as suas escolhas baseadas na mais recente evidência científica.
A Reeducação Postural Global – R.P.G. tem ganho adeptos em todo o mundo, junto de profissionais de saúde e principalmente na população em geral que usufrui e reconhece a diferenciação e resultados obtidos no tratamento com este método. O nome do método pode ser redutor, dada a aplicabilidade do mesmo em várias áreas específicas de intervenção.

O número de estudos de caso publicados tem vindo a aumentar, mas exige-se mais em termos de evidência científica a um método que tem vindo a ter um crescimento exponencial e sustentado.

Se até há uns anos atrás, a RPG justificava os seus princípios de intervenção e resultados nas bases anatómicas, fisiológicas e biomecânicas, hoje procura-se por todo mundo realizar estudos com elevada evidência científica para demonstrar a efetividade do método nas várias disfunções/patologias e entender quais os mecanismos neurofisiológicos e músculo-esqueléticos subjacentes.

Deste modo, a FISIOVIDA continua atenta e baseia a sua prática nos mais recentes estudos de forma a promover uma prática mais segura e eficaz.

Em 2016, uma publicação concluiu que a Reeducação Postural Global foi mais efetiva na redução da dor em indivíduos com dor cervical crónica inespecífica, quando comparada com Terapia Manual.

A RPG conseguiu diminuir a dor no grupo em estudo e, no seguimento após 6 meses, mostrou melhores resultados na incapacidade funcional que o outro grupo em estudo.

Outra patologia que afeta grande parte da população portuguesa e mundial, a dor lombar crónica inespecífica está também indicada na abordagem com RPG, mostrando resultados a curto e médio prazo. O trabalho respiratório, as melhorias na postura estática, na mobilidade global são algumas razões para justificar os resultados positivos com esta abordagem. Alguns estudos mostram que a RPG é uma intervenção com resultados relevantes também em indivíduos com patologias específicas como espondilite anquilosante e/ou hérnias discais lombares.

Os resultados clínicos obtidos ao longo dos anos, e seguindo a tendência atual no entendimento neural, mostraram que a RPG induz uma rápida resposta na inibição cortical motora e também uma reorganização cortical dos circuitos motores.

Embora um dos estudos tenha sido realizado em indivíduos saudáveis, estes mecanismos neurofisiológicos são imprescindíveis na reabilitação da dor crónica e também na melhoria da postura estática e dinâmica para que os resultados sejam efetivos a curto e longo prazo. Nomeadamente na dor, o entendimento do complexo processo neurofisiológico inerente é essencial, e no que concerne à RPG o entendimento das alterações que pode induzir a este nível é essencial para na nossa prática adequarmos a nossa intervenção ao tipo de utente e fase de reabilitação em que se encontra.

Particularmente na intervenção cardiorrespiratória, a RPG tem sido utilizada também pelo seu trabalho específico na respiração, conseguindo ganhos na força dos músculos respiratórios e mobilidade toraco-abdominal com tradução na espirometria em adultos jovens. Nos próximos tempos, espera-se que os estudos sejam ampliados a pessoas com patologias respiratórias crónicas de forma a entender a possível pertinência do trabalho com RPG.

Ainda referir que já existem estudos na área genito-urinária, utilizando a abordagem de RPG em pessoas com incontinência urinária de stress, com resultados promissores. Espera-se no futuro próximo que mais estudos semelhantes atestem a aplicabilidade deste método não apenas na incontinência urinária, mas também fecal e em outras disfunções do pavimento pélvico, nomeadamente disfunções sexuais.

Embora a RPG tenha uma apetência pela área músculo-esquelética, tendo por base os seus princípios e os estudos que vêm sendo realizados, as áreas de atuação podem ser múltiplas pelo que a FISIOVIDA estará atenta e continuará a desenvolver a sua prática com base no conhecimento mais atual, suportado nos excelentes resultados que temos conseguido e na evidência prática e científica mais atual.