Osteopatia Pediátrica…É só para bebés?

A Osteopatia Pediátrica tem sido uma das áreas em maior crescimento nos últimos anos, fruto do conhecimento que é partilhado nas redes sociais, mas sobretudo, resultado da procura dos pais por soluções que normalmente não encontram nos cuidados médicos.
Mais frequentemente associa-se a intervenção em Osteopatia Pediátrica às disfunções mais comuns presentes nos bebés e 1.ª infância, tais como torcicolo, plagiocefalia, cólicas, obstipação, refluxo gastroesofágico, perturbações do sono, otites ou bronquiolite recorrentes, etc… No entanto, considera-se que a idade do utente pediátrico compreende o intervalo dos 0 aos 18 anos.

Na criança mais velha ou adolescente, existe frequentemente a tentação de pensarmos neles como um adulto em miniatura, já que muitas vezes as queixas que motivam a procura de tratamento são semelhantes às do adulto (dores de costas, dores de cabeça, sequelas de traumatismos….), mas realmente esta população apresenta caraterísticas disfuncionais diferentes das do adulto, pelo facto de algumas estruturas ósseas chave apenas completarem o seu processo de ossificação na idade adulta.

Exemplos disso são o sacro ou a sincondrose esfeno basilar (zona de comunicação entre o osso occipital e o osso esfenoide ao nível da base craniana), fazendo com que estes pacientes tenham uma grande habilidade para compensar a presença de uma disfunção somática e, tal como acontece nos bebés, às vezes a sua manifestação sintomática pode ocorrer anos mais tarde.

Ou seja, devido ao potencial de crescimento desta população de pacientes, uma disfunção somática vertebral pode ter um impacto desproporcional no desenvolvimento da sua postura ou funcionamento visceral através de reflexos somatoviscerais.

De facto, o ponto interessante acerca do paciente pediátrico é que as crianças demonstram um padrão básico funcional e disfuncional que não foram ainda perturbados pela multiplicidade de traumas, disfunções e padrões compensatórios que a vida nos traz a todos.
Apesar de, tal como referido anteriormente, os sintomas manifestados pela criança/adolescente serem semelhantes às do adulto, existe um conjunto de patologias ou alterações que podem ser caraterísticas desta faixa etária.
Frequentemente na adolescência dá-se início a tratamentos ortodonticos, seja para correções de alinhamento dentário ou de oclusão, os quais podem ter uma repercussão importante sobre a estrutura óssea facial e da mobilidade e posicionamento da articulação temporo-mandibular e assim poder afetar o desenvolvimento postural do utente, assim como as funções dos órgãos inervados pelas estruturas neurais que atravessam os ossos craniais e faciais. De facto, acredita-se que a posição mandibular está envolvida na atividade anti gravítica e de controlo postural em vários mecanismos neurofisiológicos e anatómicos.

Na escoliose idiopática do adolescente, apesar de ser apontada uma causa multifatorial no seu aparecimento, fatores relacionados com alterações no desenvolvimentos das estruturas ósseas craniais, principalmente a nível occipital ou da sincondrose esfenobasilar, das estruturas vertebrais ou da pélvis (obliquidade) podem influenciar o aparecimento de assimetrias de tónus muscular e de tensão membranosa, frequentemente associados a esta patologia.

Também em patologias como a epifisiólise ou a doença de Osgood-Schlatter a osteopatia pode ser uma ferramenta adicional vantajosa no plano de intervenção destes utentes.

Autora do artigo:

  • Dra. Joana Dias – Fisioterapeuta e Osteopata especializada em Pediatria na FISIOVIDA

    Bibliografia:

  • Sergueef N. Cranial osteopathy for infants, children and adolescents, Churchill Livingstone Elsevier; 2007;
  • Zhou S, Yan J, Da H, Yang Y, Wang N, Wang W, Ding Y, Sun S. A correlacional study of scoliosis and trunk balance in adult pacients with mandibular deviation. PLOS One. 2013; 8(3): e59929.