A Nutrição Funcional na Espondilite Anquilosante

O que é a Espondilite Anquilosante?
A Espondilite Anquilosante (EA) é uma patologia inflamatória crónica que pertence ao grupo das espondilartrites. A EA é considerada uma espondilartrite axial, que afeta principalmente a coluna vertebral, levando a uma diminuição da sua mobilidade e funcionalidade. É caracterizada por um processo inflamatório constante que ocorre nos locais de inserção dos tendões e ligamentos (denominada de entesite) acometendo, numa fase inicial, as articulações sacro-ilíacas, e evoluindo para coluna lombar, dorsal e por fim cervical.

Uma das abordagens, para além das metodologias usadas pela FISIOVIDA como a Reeducação Postural Global, Osteopatia, Medicina Tradicional Chinesa, que permite diminuir o processo anti-inflamatório de uma forma natural e sem os efeitos secundários dos fármacos, é a Nutrição Funcional.

Com a Nutrição Funcional consegue-se atuar nas mesmas cascatas de sinalização e nas mesmas vias metabólicas que os fármacos sem as consequências que estes podem ter a nível do sistema imunitário.

Qual a ajuda que a Nutrição Funcional pode dar na EA?
Sendo uma patologia inflamatória crónica, uma das bases da sua ocorrência é a existência de um processo inflamatório exacerbado, caraterístico não só da EA mas também das patologias a ela associadas.
O objetivo da Consulta de Nutrição Funcional é encontrar a “origem” da EA. Para isso é fundamental perceber quais os processos no organismo que não estão a funcionar da “melhor forma”, sendo identificados os sistemas em desequilíbrio.
Na EA prevalecem desequilíbrios nas funções clínicas fundamentais – processos fisiológicos que nos mantém vivos, os quais são influenciados pelo nosso ambiente, genes e estilo de vida. A raiz/origem da EA reside assim no funcionamento “anormal” de um ou vários destes sistemas:

  • Assimilação (digestão, absorção, microbioma/flora intestinal);
  • Defesa e reparação (sistema imunitário e inflamação);
  • Energia (regulação energética e função mitocondrial);
  • Biotransformação e eliminação (toxicidade e desintoxicação);
  • Comunicação (hormonas, neurotransmissores, mensageiros imunológicos, cognição);
  • Transporte (Sistema linfático e cardiovascular);
  • Integridade estrutural (desde membranas subcelulares ao sistema musculoesquelético).

    A identificação dos diferentes sistemas em desequilíbrios deve ser considerada de forma individual pois não só existe uma clara variabilidade individual ao nível dos sistemas afetados, mas também ao nível do impacto desse desequilíbrio no estado do utente.

    É importante realçar que os diferentes sistemas orgânicos não estão dissociados uns dos outros, ou seja, um desequilíbrio num dos sistemas pode provocar um desequilíbrio nos restantes. O mesmo acontece quando consideramos os fenómenos bioquímicos. Por exemplo: Não podemos dissociar um desequilíbrio ao nível do processo inflamatório dum desequilíbrio ao nível do sistema imunitário pois existe uma interdependência e uma convergência ao nível dos fenómenos bioquímicos associados a ambos os processos.
    O cansaço, depressão, anemia e o aparecimento de patologias concomitantes são o reflexo claro do desequilíbrio de múltiplos sistemas orgânicos que estão na base de uma série de défices nutricionais e desequilíbrios ao nível dos processos bioquímicos, cujo efeito é um impacto negativo no estado de saúde do utente.
    Uma característica comum nos casos de EA é uma alteração a nível da flora intestinal com impacto claro no sistema imunitário (que passa a atacar as suas próprias células), processo digestivo, hormonal e mesmo na tolerância a determinados alimentos.
    Propôs-se já uma relação entre o aparecimento e mesmo a progressão da EA (e as patologias a ela associadas) e a bactéria Klebsiella Pneumoniae, cujo crescimento é influenciado pela ingestão de amido.
    A redução da ingestão de amido associa-se a uma melhoria dos sintomas. Mas este é apenas um exemplo do impacto da Nutrição na melhoria da sintomatologia associada à EA. Há vários outros aspetos e terapêuticas que devem ser implementadas para melhoria dos sintomas e remissão da doença e isso depende da avaliação individual.

    Como é possível uma pessoa beneficiar com a Nutrição Funcional?

    Através de uma dieta com capacidade para diminuir a inflamação associada à patologia, com a correção dos défices nutricionais e com o recurso a suplementos naturais.

    Em muitos casos, consegue-se eliminar a dor na sua totalidade com a abordagem da Nutrição Funcional.

    Para avaliar os sistemas em desequilíbrio é recolhida informação relativa: aos sintomas e sinais clínicos, às preocupações do utente e ao historial clínico. A partir dessa informação e com recurso a análises gerais e específicas identificam-se os sistemas em desequilíbrio, assim como os défices nutricionais e alterações a nível metabólico provocadas por esses desequilibrios.

    Com recurso à Nutrição Funcional aliada às restantes terapias, conseguimos contrabalançar o processo inflamatório, com concomitante redução da destruição tecidular, equilíbrio do sistema imunitário, entre outros processos metabólicos. São observadas melhorias claras ao nível do cansaço, capacidade funcional, mau-estar e dor associadas à EA.
    O objetivo final: corrigir défices nutricionais, reequilibrar o processo inflamatório e todos os processos bioquímicos com funcionamento “anormal”, reequilibrar os sistemas do organismo e restabelecer ao máximo o estado de saúde, melhorando claramente a qualidade de vida do utente.

    Bibliografia:

  • Aguiar, R., & Sepriano, A. (2013). Obtido de Sociedade Portuguesa de Reumatologia: http://www.spreumatologia.pt/doencas/espondilite-anquilosante;
  • Ferreira, G., Barreto, R., Robinson, C., Plentz, R., & Silva, M. (2016). Global Postural Reeducation for patients with musculoskeletal conditions: a systematic review of randomized controlled trials. Brazilina Journal of Physical Therapy;
  • MacFarlane, T., Abbood, H., Pathan, E., Gordon, K., Juliane, H., & MacFarlane, G. (2018). Relationship between diet and ankylosing spondylitis: A systematic review. European Journal of Rheumatology;
  • RPG Souchard. (s.d.). RPG Souchard no tratamento de Espondilite Anquilosante. Obtido de http://www.rpgsouchard.com.br/pacientes/rpg-souchard-tratamento-espondilite-anquilosante/;
  • Silva, E. (2010). Avaliação dos efeitos da Reeducação Postural Global (RPG) em pacientes com Espondilite Anquilosante. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

    Autores do artigo:

  • Dra. Alice Vitorino – fisioterapeuta FISIOVIDA
  • Dra. Paula Ramos – nutricionista FISIOVIDA