A importância do Diafragma no método de Pilates

Dor lombar, dor cervical, os famosos “torcicolos”, ou mesmo dor nos ombros e joelhos são das regiões mais suscetíveis à dor e com a qual lidamos diariamente. Várias são as possíveis causas para estas situações mas, no que diz respeito ao plano de tratamento, é consensual a importância de uma abordagem individualizada que respeite e atenda as necessidades de cada indivíduo.
Numa avaliação mais pormenorizada, sabemos que são várias as estruturas que poderão estar em disfunção e a contribuir para o quadro dos sintomas, mesmo quando não pressentimos mais nada para além da dor bem localizada.

Os nossos músculos estão interligados entre si, como redes de cabos contínuos organizados em cadeias de coordenação neuromusculares.

Sabemos por isso, que perante uma dor cervical ou lombar existem outros músculos envolvidos para além do local da dor e, exemplo disso, são os diafragmas respiratório e pélvico.

O diafragma respiratório localiza-se abaixo das costelas e separa a cavidade torácica da abdominal e é considerado como o principal músculo respiratório. No que diz respeito ao diafragma pélvico, este fecha a cavidade abdominal na sua porção inferior e tem a função de manter os órgãos pélvicos na posição adequada. É também considerado um diafragma pois contrai e relaxa na respiração e em concordância com o movimento do diafragma respiratório. Esta ação coordenada entre os diafragmas é muito importante pois garante o funcionamento normal do corpo mas, por vezes, um dos diafragmas fica tenso e pode facilmente alterar a capacidade de contração e relaxamento do outro.

É muito frequente encontrar-se alteração na tonicidade dos diafragmas em atletas de alta competição, profissões que envolvam impacto, cesarianas ou pós-partos, stress ou posturas estáticas por longos períodos de tempo.

Qual a implicação de um diafragma tenso e disfuncional?

A alteração da tonicidade dos diafragmas irá influenciar a condição muscular geral do corpo e o diafragma respiratório é dos músculos que mais rapidamente perde a mobilidade e a sua dinâmica própria.

Na presença de tensão diafragmática, o diafragma respiratório não consegue a potência adequada para uma boa inspiração e, em consequência, os músculos acessórios da inspiração, como os músculos do pescoço, serão recrutados para auxiliar na respiração.

Estes são músculos pequenos, desenhados para abrir e elevar bem a grelha costal perante uma situação de fuga ou de urgência em que precisamos de aporte de oxigénio rápido e em abundância para uma corrida rápida, por exemplo. Este recrutamento “de fuga” se se mantém em cada inspiração no dia a dia, e não apenas em situações pontuais, gera tensão na coluna e altera o funcionamento basal de todo o organismo.

Pelo facto do diafragma respiratório ser constituído por duas cúpulas, unidas por um centro tendinoso, acontece frequentemente a tensão ser assimétrica, tensão mais de um lado que do outro, relacionado também com as tarefas assimétricas que fazemos diariamente. Como consequência, e pela relação direta entre os músculos organizados em diferentes cadeias, poderá ficar mais tenso um lado do corpo que outro, podendo comprometer a região acima do diafragma como a cervical ou abaixo como a lombar.
Acrescentando a esta abordagem muscular, sabemos também que o diafragma tem um papel fundamental na mobilidade própria dos orgãos abdominais, porque sempre que inspiramos o diafragma pressiona o fígado e o estômago, ajudando no processo de esvaziamento, por exemplo. Perante um fígado distendido por excesso de glicogénio (por consumo de frutose e glicose excessiva), o diafragma ficará mais encurtado do lado direito por falta de espaço, se o estômago está inflamado por úlcera ou distendido por hérnia de hiato, o diafragma fica encurtado à esquerda não desempenhando corretamente essa função de mobilidade. Os encurtamentos do diafragma poderão então gerar alterações à distância pela ligação entre os músculos e também a nível orgânico.

Estes são os motivos pelo qual é fundamental uma avaliação detalhada e diferenciadora, perante uma dor cervical ou lombar, para perceber onde se iniciou o problema e qual a melhor estratégia para tratar a dor.

Sabia que a prática de Pilates pode ajudar?

Para além de trabalho de força e flexibilidade com controlo, o método de Pilates contempla a respiração, o trabalho do diafragma respiratório e pélvico, a força abdominal hipopressiva e a mobilidade da coluna nos vários planos necessários aos movimentos do dia a dia. Como já supra-citado, uma tensão no diafragma pode levar a dor à distância e, para além disso, influenciar a postura e o equilíbrio corporal, pois a capacidade de ativação dos músculos do abdominal (recto abdominal, oblíquos e transverso) poderá ficar comprometida.

Um corpo em equilíbrio necessita de musculatura ativa e flexível, de uma parede abdominal e diafragmas fortes e funcionais capazes de conter os órgãos, juntamente com a estrutura posterior que mantém a coluna. É necessário que tudo isto trabalhe em harmonia para que o corpo funcione, naturalmente, de forma saudável. O método de Pilates apresenta-se como um método completo, capaz de trabalhar o corpo como um todo, reproduzindo mudanças neuromusculares em músculos tónicos, conhecidos como posturais, e nos mais superficiais, os fásicos.

Pilates trabalha todos os músculos que fazem parte do cilindro abdominal, incluído os diafragmas e, como resultado, trabalha o equilíbrio de tensões a nível profundo, aliviando dores e más posturas e aumenta a consciência corporal, o que permite entender o corpo e o movimento.

O Método de Pilates que desenvolvemos na FISIOVIDA dá especial relevância à avaliação individual e personalizada. Aliamos ao conhecimento teórico os aparelhos desenvolvidos por Pilates que criam estímulos, podendo servir como uma ajuda ou um desafio para a prática de um exercício. Este método surgiu em 1914 por Joseph Pilates que acreditava que “as mudanças ocorrem através do movimento e o movimento cura” e, após 100 anos, é hoje em dia reconhecido como uma das formas mais seguras e eficazes de treino, tornando o corpo mais forte de dentro para fora. É um excelente treino desde o atleta que pretende melhorar a performance ao indivíduo com dores ou problemas de coluna.

Conte com a equipa FISIOVIDA para o(a) ajudar!

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