Usar Cintas Lombares: Sim ou Não?

CINTAS LOMBARES: sim ou não?

A utilização das cintas não é consensual. O seu uso apresenta vantagens e desvantagens, por isso deve ser sempre avaliado caso a caso.

No entanto, as cintas SÓ DEVEM ser indicadas em situações muito ESPECÍFICAS e EXCECIONAIS!

Qual a utilidade das cintas lombares?
As cintas foram criadas com o objetivo de imobilizar parcialmente a coluna lombar, permitindo a diminuição do movimento do tronco. Contudo não o eliminam por completo nem reduzem a carga sobre a coluna.
Apesar de contribuirem para o aumento da estabilidade lombar, diversos estudos científicos indicam que a utilização das cintas não deve exceder as 2 semanas, caso contrário, a utilização a longo prazo, poderá tornar suscetível uma atrofia muscular, decorrente de uma inatividade e diminuição da função por parte da musculatura da coluna.

A cinta evita lesões na coluna lombar?
As cintas não evitam lesões na região lombar, contudo acredita-se que estas podem atenuar a dor lombar aguda. O facto das cintas reduzirem e conterem a amplitude de movimento na coluna, pode diminuir a dor e ajudar na marcha. Estudos recentes sugerem que a utilização da cinta num curto espaço de tempo ajuda a reduzir a dor e a melhorar a sua função sem causar perda de força muscular.
Existem vários tipos de cintas lombares: umas elaboradas com um material mais rígido e outras com um material mais flexível. As mais rígidas permitem uma maior resistência ao movimento do tronco, no entanto, a longo prazo, contribuem para o aumento da rigidez muscular, devido a alterações na ativação dos músculos do tronco. As mais flexíveis têm menor suporte do tronco, limitando menos o movimento.

O uso da cinta no manuseio de cargas
Seja no local de trabalho, para atividades que exigem muito esforço, seja em algumas modalidades desportivas, o uso da cinta lombar deve ser sempre ponderado. É de salientar que este é um acessório que contorna a região da cintura, e por isso exercerá uma compressão na região abdominal. Isto implica um aumento da pressão intra-abdominal, limitando o fluxo sanguíneo e o funcionamento dos órgãos desta região. Além disso, durante o levantamento de uma carga ou peso, normalmente as pessoas tendem a suster a sua respiração, contribuindo também para o aumento da pressão na região torácica e abdominal.
No desporto, se não estiver a realizar os movimentos de forma correta, há uma grande probabilidade de provocar uma lesão.

Por vezes, as cintas transmitem uma falsa sensação de segurança, fazendo com que as lesões se tornem mais graves.

Lembre-se!

  • Usar a cinta apenas durante a atividade de levantamento e movimentação manual do peso/carga;
  • A cinta lombar não garante mais força para levantar um peso;
  • Se nunca se lesionou nas costas, o uso da cinta não lhe irá proporcionar mais segurança;
  • Em alguns exercícios, para tirar o máximo partido das cintas de suporte lombar, irá executar os movimentos de forma incorreta;
  • Se lesionar-se enquanto estiver a usar uma cinta, provavelmente a lesão será mais grave.

    Se a cinta lombar não é a melhor opção para “tratar” a minha dor lombar de forma duradoura o que posso então fazer?
    A cinta pode ser uma opção no tratamento da dor lombar aguda, contudo existem outras abordagens para o alivio da sintomatologia nestas situações que não se focam apenas no alívio momentâneo, mas oferecem uma perspetiva mais duradoura ao nível das melhorias.
    De acordo com as recomendações atuais sobre a abordagem da dor lombar, a intervenção deve incluir um programa de exercícios que permitam restaurar ou manter o controlo motor da coluna e a postura corporal adequada. Um trabalho com enfoque em exercícios aeróbios, no fortalecimento muscular e na flexibilidade parece ser mais eficaz na diminuição da dor e na melhoria da função.
    Na FISIOVIDA o conceito de exercício está presente através de duas abordagens:

  • Uma das abordagens é o Pilates Clínico, que dá especial relevância à avaliação individual e personalizada, trabalhando a musculatura do core abdominal para uma maior estabilidade lombopélvica. O Pilates é um dos métodos amplamente utilizados em pessoas com lombalgia. Esta prática permite o restabelecimento da função dos músculos envolvidos na estabilidade lombopélvica, ou seja, nos músculos transverso abdominal, multífidos, diafragma e pavimento pélvico.
  • Por outro lado, o programa ECOS – Exercício Clínico e Otimização da Saúde, visa a melhoria dos principais sistemas do corpo, focando-se no trabalho aeróbio, flexibilidade e fortalecimento muscular.

    A Reeducação Postural Global – RPG, é outro dos métodos que tem revelado resultados efetivos na diminuição da dor e da rigidez, assim como no aumento da mobilidade da coluna e da expansibilidade torácica. A RPG tem por base o alongamento global das cadeias musculares com objetivo de restabelecer a flexibilidade muscular, recuperar o alinhamento correto das estruturas, eliminar a dor e restabelecer a função.

    Autora do artigo:

  • Dra. Alice Vitorino – Fisioterapeuta especializada em R.P.G. na FISIOVIDA

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    Bibliografia