Haverá solução no tratamento da Espondilite Anquilosante?

O que é a Espondilite Anquilosante?
A Espondilite Anquilosante (EA) é uma patologia inflamatória crónica que pertence ao grupo das espondilartrites. A EA é considerada uma espondilartrite axial, que afeta principalmente a coluna vertebral, levando a uma diminuição da sua mobilidade e funcionalidade. É caracterizada por um processo inflamatório constante que ocorre nos locais de inserção dos tendões e ligamentos (denominada de entesite) acometendo, numa fase inicial, as articulações sacro-ilíacas, e evoluindo para coluna lombar, dorsal e por fim cervical.
Associadas à EA, podem surgir outras espondilartrites como é o caso das espondilartrites periféricas, que afetam os ombros, as ancas, os joelhos e as tibiotársicas, assim como outras patologias como a artrite psoriásica, a artrite associada à doença inflamatória do intestino – doença de Crohn -, a artrite reativa, entre outras.

Quais são os sintomas da EA?
Dentro dos sintomas mais frequentes, a dor lombar é o sinal mais relevante. Esta surge durante o repouso, dificultando, por vezes, um sono reparador. Ao levantar de manhã, ou após períodos de repouso, o paciente pode sentir rigidez generalizada nos movimentos, mas que aliviam com a continuação do movimento. Com a evolução da patologia e das alterações degenerativas verifica-se uma diminuição da amplitude dos movimentos e um conjunto de alterações posturais, nomeadamente:

  • Retificação da lombar (ausência de curvas);
  • Flexão compensatória da pélvis e dos joelhos;
  • Aumento da curvatura dorsal;
  • Retificação da cervical;
  • Projeção da cabeça para a frente.

    Estas alterações podem comprometer o dia-a-dia da pessoa, provocando limitações em atividades como inclinar o tronco ou em virar o pescoço para olhar para trás, por exemplo.

    Ainda não é conhecida a causa desta patologia. Sabe-se que esta resulta de uma desregulação do sistema imunológico do organismo, e que alguns fatores genéticos têm um papel importante. Estes, associados a determinados fatores ambientais podem contribuir para o desencadear da doença.
    Ainda não existem critérios de diagnóstico definidos. O diagnóstico tem em consideração um conjunto de fatores como as manifestações clínicas (dor lombar, artrite, uveíte, entesite), resultados imagiológicos (radiografia e ressonância magnética das sacroilíacas) e análises laboratoriais (HLA B27, PCR). São o conjunto destes resultados, que indicam a presença ou não da EA e definem o seu diagnóstico.

    Que soluções estão disponíveis como tratamento?
    Os principais objetivos que se pretendem com o tratamento são a redução da dor e rigidez matinal, a prevenção de deformidades, a preservação da postura correta, a manutenção e melhoria da mobilidade, força e flexibilidade e da condição física geral.
    Nos portadores de EA, a prática de exercício físico adequado e a realização de um plano de tratamento em Fisioterapia assumem uma importância fundamental, no sentido de preservar a mobilidade e uma correta postura. Um dos aspetos mais importantes do tratamento são os exercícios direcionados para a coluna vertebral e exercícios respiratórios, de modo a alongar e fortalecer os músculos da coluna e evitar a rigidez e perda de mobilidade. 
    Dentro da Fisioterapia, a Reeducação Postural Global (RPG), tem revelado resultados efetivos na diminuição da dor e da rigidez matinal, assim como no aumento da mobilidade da coluna e da expansibilidade torácica.

    Na FISIOVIDA, este é um método que contribui para uma maior capacidade funcional e melhor qualidade de vida para os portadores de EA.

    Por outro lado, o exercício físico individualizado e adaptado tem revelado benefícios no tratamento da EA, por restituir ao sistema osteoarticular a amplitude de movimento que a inflamação acomete, assim como na amplitude dos movimentos torácicos e na mobilidade da coluna vertebral. Além disso, tem-se verificado que o papel do exercício físico é fundamental para a redução das concentrações de TNF-alfa, uma citocina encontrada em concentrações elevadas nas áreas de inflamação ativa. Neste sentido, o exercício de intensidade moderada, praticado com regularidade, melhora a capacidade de resposta do sistema imune.

    Na FISIOVIDA o exercício físico está inserido num conceito diferenciado que aborda o indivíduo como um todo. Uma das abordagens é o Pilates, que dá especial relevância à avaliação individual e personalizada, trabalhando as debilidades/disfunções do corpo em específico. Por outro lado, o programa ECOS – Exercício Clínico e Otimização da Saúde, visa a melhoria dos principais sistemas do corpo, tais como o sistema cardiovascular, respiratório, endócrino e metabólico no sentido de potenciar a sua melhor performance e estado global de saúde.

    O recurso ao tratamento farmacológico, que tem por base a administração de anti‐inflamatórios não esteroides, tem-se revelado uma das abordagens possíveis para retardar os danos estruturais. Além dos anti-inflamatórios, o recurso aos fármacos biológicos, que atuam contra moléculas intervenientes no processo inflamatório, é uma alternativa para os pacientes que, apesar das terapêuticas atrás descritas, mantêm grande atividade da doença.
    Contudo, existem outras abordagens, nomeadamente no plano nutricional, que permitem diminuir o processo anti-inflamatório de uma forma natural e sem os efeitos secundários dos fármacos.

    Com a Nutrição Funcional consegue-se atuar nas mesmas cascatas de sinalização e nas mesmas vias metabólicas que os fármacos sem as consequências que estes podem ter a nível do sistema imunitário.

    Qual a ajuda que a Nutrição Funcional pode dar na EA?
    Sendo uma patologia inflamatória crónica, uma das bases da sua ocorrência é a existência de um processo inflamatório exacerbado, caraterístico não só da EA mas também das patologias a ela associadas.
    O objetivo da Consulta de Nutrição Funcional é encontrar a “origem” da EA. Para isso é fundamental perceber quais os processos no organismo que não estão a funcionar da “melhor forma”, sendo identificados os sistemas em desequilíbrio.
    Na EA prevalecem desequilíbrios nas funções clínicas fundamentais – processos fisiológicos que nos mantém vivos, os quais são influenciados pelo nosso ambiente, genes e estilo de vida. A raiz/origem da EA reside assim no funcionamento “anormal” de um ou vários destes sistemas:

  • Assimilação (digestão, absorção, microbioma/flora intestinal);
  • Defesa e reparação (sistema imunitário e inflamação);
  • Energia (regulação energética e função mitocondrial);
  • Biotransformação e eliminação (toxicidade e desintoxicação);
  • Comunicação (hormonas, neurotransmissores, mensageiros imunológicos, cognição);
  • Transporte (Sistema linfático e cardiovascular);
  • Integridade estrutural (desde membranas subcelulares ao sistema musculoesquelético).

    A identificação dos diferentes sistemas em desequilíbrios deve ser considerada de forma individual pois não só existe uma clara variabilidade individual ao nível dos sistemas afetados, mas também ao nível do impacto desse desequilíbrio no estado do utente.

    Para ler mais sobre o papel da Nutrição Funcional na Espondilite Anquilosante clique AQUI

    Bibliografia:

  • Aguiar, R., & Sepriano, A. (2013). Obtido de Sociedade Portuguesa de Reumatologia: http://www.spreumatologia.pt/doencas/espondilite-anquilosante;
  • Ferreira, G., Barreto, R., Robinson, C., Plentz, R., & Silva, M. (2016). Global Postural Reeducation for patients with musculoskeletal conditions: a systematic review of randomized controlled trials. Brazilina Journal of Physical Therapy;
  • MacFarlane, T., Abbood, H., Pathan, E., Gordon, K., Juliane, H., & MacFarlane, G. (2018). Relationship between diet and ankylosing spondylitis: A systematic review. European Journal of Rheumatology;
  • RPG Souchard. (s.d.). RPG Souchard no tratamento de Espondilite Anquilosante. Obtido de http://www.rpgsouchard.com.br/pacientes/rpg-souchard-tratamento-espondilite-anquilosante/;
  • Silva, E. (2010). Avaliação dos efeitos da Reeducação Postural Global (RPG) em pacientes com Espondilite Anquilosante. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

    Autores do artigo:

  • Dra. Alice Vitorino – fisioterapeuta FISIOVIDA
  • Dra. Paula Ramos – nutricionista FISIOVIDA