A DOR tem sempre diagnóstico IMAGIOLÓGICO?

A DOR tem SEMPRE diagnóstico IMAGIOLÓGICO?
Ter dor na coluna é sinónimo de lesão grave? E não ter dor é sinónimo de ausência de lesão?
A resposta é NÃO.
Atualmente, é constante a necessidade de encontrar uma causa visível em Raio-X, TAC ou Ressonância Magnética na presença de dor.

Os estudos têm vindo a demonstrar que cerca de 90% dos casos de dor na coluna não têm diagnóstico imagiológico, ou seja, sem causa estrutural. Curioso é que a mesma percentagem, ou seja 90% dos indivíduos sem dor na coluna revelam ter alterações degenerativas em várias estruturas da coluna.

E porque é que isto acontece?
Segundo os estudos mais recentes, isto justifica-se fisiologicamente devido à hiperexcitabilidade dos neurónicos do sistema nervoso central (SNC) e periférico (SNP). Quando ocorre uma lesão, é desencadeada uma resposta inflamatória. A libertação de mediadores químicos estimula as terminações nervosas periféricas, provoca a hiperexcitabilidade das fibras nervosas e intensifica a reação ao estímulo – Sensibilização periférica.

Quando este estado de hiperexcitabilidade persiste, mantendo a ativação contínua das fibras, numa baixa frequência e por um longo período de tempo, tanto nos tecidos lesionados como nos adjacentes à lesão, a informação transmitida ao SNC desencadeia alteração na plasticidade dos neurónios, modificando a resposta ao estímulo – Sensibilização central.
Por outro lado, a presença de dor na ausência de lesão prévia, é também possível, e é defendida pelos investigadores como sendo uma resposta a uma “agressão não física” ao nosso corpo.

Isto para dizer que fatores como um trauma emocional, stress, medo, ansiedade, alterações do sono, fadiga, podem despertar uma sensação de potencial ameaça/agressão e serem interpretada pelo SNC como dor. Esta é uma das teorias que explicam o facto de a dor estar presente mesmo já não existindo lesão, ou surgir apenas com um estímulo de intensidade muito pequena (ex: movimentos, posturas mantidas, stress), e para casos em que lesões semelhantes em pessoas diferentes desencadeiam respostas de dor substancialmente diferentes.

De uma forma sucinta, o que ocorre é uma alteração na interpretação e integração do estímulo desde os recetores e terminações nervosas periféricas (pequenos nervos que estão mais superficiais, pele, fáscia, músculo…) até ao córtex cerebral (área de interpretação).

Com isto, é de extrema importância entender-se que não existem vias da dor nem recetores de dor no nosso corpo, existem sim experiências que o nosso cérebro interpreta como dor.
Para os profissionais de saúde, o Raio-x, Ressonância Magnética ou a TAC são meios complementares de diagnóstico que auxiliam no diagnóstico, ajudando também a excluir muitas das vezes patologias mais severas. Contudo, o diagnóstico não se esgota nos resultados dos mesmos, sendo crucial a avaliação clínica minuciosa para perceber a correlação, ou não, entre sintomas e as imagens para um diagnóstico correto.

O compromisso da FISIOVIDA é tratar PESSOAS e não simplesmente SINTOMAS, ajudando-as a desenvolver as atividades diárias sem sintomatologia, e com a melhor qualidade possível. Daí o entendimento sobre os mecanismos da dor ser tão fundamental!

– Louw A. (2014). Therapeutic Neuroscience Education: Teaching People About Pain.
– McAllister MJ. (2012). Central Sensitization.
– Nijs, J., Girbés, E.L., Lundberg, M., Malfliet, A. and Sterling, M. (2015). Exercise therapy for chronic musculoskeletal pain: Innovation by altering pain memories. Manual therapy, 20 (1), pp. 216-220.
– Goldberg JS. (2008). Revisiting the Cartesian model of pain. Medical Hypotheses. 70 (5), 1029–1033.